Missa dominical de padre Júlio Lancellotti — Foto: Sérgio Quintella O Globo/Reprodução

Multidão lota igreja em apoio a Pe. Lancellotti após censura

Por Redação

A primeira missa dominical celebrada pelo Padre Júlio Lancellotti após a determinação da Arquidiocese de São Paulo de suspender suas atividades nas redes sociais foi marcada por lotação máxima, comoção e atos de desagravo ⛪. No domingo (21/12), a Capela da Universidade São Judas, na Mooca, Zona Leste da capital paulista, tornou-se acanhada para o número de fiéis que compareceram para prestar solidariedade ao pároco, figura central na defesa da população em situação de rua 👥.

A atmosfera no local transcendia a liturgia habitual. Antes mesmo do início da celebração das 10h, voluntários organizavam um abaixo-assinado 📝 endereçado ao cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo metropolitano de São Paulo e responsável pela ordem de "silêncio virtual" imposta a Lancellotti 🚫📱. O documento pedia a manutenção do padre à frente da Paróquia São Miguel Arcanjo e contestava a medida administrativa.

Com o espaço interno tomado, muitos fiéis acompanharam o rito religioso pelas janelas e do lado de fora da capela 🪟. Cartazes de apoio foram erguidos logo nas primeiras bênçãos, transformando o ato religioso em uma manifestação política e social contra o que muitos ali classificaram como censura 📢.

⚔️ "Uma luta irmã de todas as lutas"

Durante a homilia, Lancellotti, que acumula mais de 2,3 milhões de seguidores no Instagram, abordou o momento delicado sem citar nominalmente a hierarquia eclesiástica. Ele sugeriu que as sanções são frutos de uma "conspiração" contra o trabalho social realizado pela Pastoral do Povo da Rua 🗣️.

"Eu não sei o que é que vai acontecer nas próximas semanas", desabafou o religioso. "Assim como nós nos juntamos para dizer que somos irmãos, muitos se juntam também para conspirar contra. Para fazer formas de destilar o seu ódio." 💔

O padre reforçou que as obras sociais — como a produção diária de 2 mil pães 🥖 e o acolhimento nas casas Santa Dulce e Santa Virgínia — são mantidas pela sociedade civil, sem verbas governamentais ou da Igreja. Em tom de resistência, Lancellotti evocou seu lema pessoal:

"Uma luta é irmã de todas as lutas. Mesmo que em alguns momentos sejamos diminuídos, alvejados e feridos, mesmo machucados e sangrando, nós amaremos até o fim" ❤️🩹.

Um manifesto lido por um jovem da comunidade reforçou a simbiose entre o padre e seus paroquianos: "Quando sancionam o padre Júlio por pregar o Evangelho, sancionam toda a nossa comunidade" 🤝.

🤫 O contexto do silêncio: punição ou proteção? 🛡️

A suspensão das transmissões online e das postagens de Lancellotti gerou um intenso debate sobre os mecanismos de controle da Igreja Católica. Oficialmente, a Arquidiocese trata o caso como um "assunto administrativo interno". Especialistas apontam que a medida encontra respaldo no Código de Direito Canônico ⚖️, que permite a bispos impor "silêncios obsequiosos" a sacerdotes que causem "grave perturbação da ordem".

Historiadores lembram que tal instrumento já foi utilizado contra expoentes da Teologia da Libertação, como Leonardo Boff, e teólogas feministas, como Ivone Gebara. 📚. No entanto, uma narrativa alternativa circula nos bastidores: a de que Dom Odilo Scherer estaria agindo para proteger Lancellotti de ataques da extrema-direita. Uma nota assinada por membros da comunidade local sugere que o afastamento digital visa blindar o sacerdote de 77 anos de uma "escalada de violência" ⚠️.

Independentemente da motivação, o domingo na Mooca demonstrou que, se o objetivo era diminuir a visibilidade de Júlio Lancellotti, o efeito imediato foi o inverso. Ao final da missa, aplaudido de pé 👏, o padre sentou-se à entrada da capela, atendendo aos fiéis e reafirmando que, com ou sem redes sociais, seu trabalho nas ruas continua 🚶‍♂️.

Imagem gerada por Inteligência Artificial

Olá, resolvemos antecipar em um dia a edição desta semana do Radar PopRua devido às festas de fim-de-ano. Voltamos à sua caixa postal em 7 de janeiro. Boas festas e Feliz Ano Novo!

📍Vereadora causa polêmica ao criticar doações de comida a pessoas em situação de rua

🎄 Uma fala sobre “quentinhas” no Natal virou debate público sobre fome, política social e criminalização da pobreza no Rio de Janeiro.

  • Por que isso importa: O episódio expõe como discursos de autoridade podem influenciar práticas solidárias e legitimar respostas punitivas a um problema estrutural. Também revela o abismo entre políticas públicas formais e a realidade vivida por quem está na rua.

🧠 O que está acontecendo:
A vereadora Talita Galhardo afirmou que a distribuição de refeições a pessoas em situação de rua estimula a permanência nas calçadas e pode aumentar a criminalidade.

  • Ela citou a existência de vagas em abrigos e atribuiu a recusa ao não cumprimento de regras internas.

🔍 Nas entrelinhas:
A fala foi interpretada como insensível e como criminalização da pobreza, gerando forte reação negativa nas redes sociais.

  • Críticos apontaram que fome não é escolha e que solidariedade não substitui políticas públicas.

🏃 Resumindo:
Enquanto a vereadora defende restrições à ajuda direta, parte da sociedade civil reage afirmando que negar comida aprofunda a desumanização.

  • O debate contrapõe controle social versus dignidade humana.

🖼️ O quadro geral:
A prefeitura afirma realizar abordagens sociais contínuas, mas o acolhimento não é obrigatório. Já a ONG Ação da Cidadania rebateu duramente o discurso, afirmando que não é a comida que mantém alguém na rua, mas a ausência de políticas de moradia, saúde mental e renda.

💭 Nossa opinião:
Culpar a solidariedade pela exclusão social é um atalho retórico perigoso que desloca o foco das falhas estruturais do Estado.

👮🏼 Prefeitura de São Paulo decide fechar centro especializado para famílias migrantes

🌍 A gestão Ricardo Nunes anunciou o fechamento do Caef Ebenezer, centro voltado ao acolhimento de famílias migrantes e refugiadas na zona leste da capital. A decisão contraria diretrizes da política municipal para a população imigrante e provocou reação de entidades e especialistas.

  • Por que isso importa: O encerramento pode desmontar um serviço especializado previsto em lei municipal e reconhecido por organismos internacionais. A medida também levanta riscos de atendimento inadequado ao diluir migrantes em equipamentos não específicos.

🧠 O que está acontecendo: Em funcionamento desde 2022, o Caef Ebenezer acolhe atualmente 157 migrantes de diferentes nacionalidades, com foco em famílias.

  • A Prefeitura afirma que haverá realocação na rede socioassistencial, sem detalhar como será preservado o atendimento especializado.

🔍 Nas entrelinhas: Especialistas alertam que misturar migrantes com outros públicos vulneráveis pode gerar conflitos e perda de proteção adequada.

  • O centro é considerado referência pelo ACNUR e pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

🏃 Resumindo: Um equipamento específico, com equipe dedicada e contrato vigente até 2029, está sendo descontinuado sem clareza sobre a continuidade do modelo.

  • O fechamento também implica a demissão de 31 trabalhadores.

🖼️ O quadro geral: O caso expõe tensões entre decisões administrativas e compromissos legais assumidos pelo município em matéria de direitos humanos. A Defensoria Pública acompanha a situação e avalia medidas para garantir os direitos das famílias migrantes.

💭 Nossa opinião: A decisão sinaliza fragilidade na continuidade de políticas públicas especializadas para populações migrantes.

“Vozes da Rua” estreia no blog Solidaritas: escutar para transformar

Kleidson e seu filho Mateus nos deram uma entrevista durante seminário internacional na Fiocruz Brasília

O blog Solidaritas acaba de inaugurar a seção Vozes da Rua, dedicada a ouvir — sem intermediações excessivas — quem quase nunca é escutado. A entrevista de estreia foi realizada durante o Seminário Internacional sobre População em Situação de Rua, na Fiocruz Brasília, e marca o início de uma aposta editorial clara: menos fala do repórter, mais densidade da experiência vivida.

O primeiro convidado é Kleidson Oliveira Beserra, liderança do movimento PopRua, cuja trajetória desmonta estereótipos e desafia a lógica do jornalismo apressado. A conversa atravessa temas como nome, estigma, cuidado, política pública e pertencimento — mas sem atalhos narrativos ou enquadramentos simplórios.

No Radar PopRua, o convite é simples e direto: vale a leitura integral da entrevista no blog Solidaritas. Não para “conhecer uma história”, mas para experimentar um exercício raro de escuta qualificada. Ler Vozes da Rua é aceitar o risco de ser transformado.

E mais:

📋 EXPEDIENTE:

Curadoria, Análise e Edição Final: Cláudio Cordovil Oliveira (Fiocruz)

Uso de IA: IA foi  ferramenta empregada para otimização de síntese, e não como autora do conteúdo.

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