Olá De volta de nosso recesso, iniciado em 23/12, o boletim Radar PopRua está repleto de novidades, recuperando para você as notícias desde então. Boa leitura!

📍 Duas cidades, uma mesma crise: como São Paulo e Los Angeles produzem a falta de moradia

Franciso Beck, Hotel Cambridge, 1951, São Paulo, 2017. Foto: Leonardo Finotti.

🏙️🌎 A exposição Construction, Occupation, no Fowler Museum da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) usa ocupações em São Paulo para espelhar a crise habitacional de LA. Artigo publicado recentemente na Artforum mostra como política urbana e desigualdade moldam esse desastre nas duas cidades.

  • Por que isso importa: A crise de moradia não é natural, é resultado de escolhas políticas e jurídicas. O caso brasileiro mostra que tratar moradia como direito muda o tipo de conflito.

🧠 O que está acontecendo:
Uma exposição em Los Angeles conecta ocupações no centro de São Paulo com a realidade de áreas empobrecidas (skid row).

  • No Brasil, moradia é direito constitucional.

  • Nos EUA, moradia segue sendo mercadoria.

🔍 Nas entrelinhas:
O texto mostra como infraestrutura e urbanismo foram usados para expulsar e segregar populações pobres.

  • Rodovias e grandes obras destruíram centros urbanos.

  • A pobreza foi tratada como caso de polícia.

🏃 Resumindo:
Em São Paulo, ocupações forçaram o Estado a financiar moradia social.

  • Lá, prédio vazio virou política pública.

  • Em Los Angeles, ruína continua sendo ruína.

🖼️ O quadro geral:
A crise habitacional é parte de um sistema de especulação, racismo estrutural e neoliberalismo urbano. Onde moradia é direito, o conflito vira disputa política; onde é mercadoria, vira repressão.

💭 Nossa opinião: O texto desmonta o mito da casa como sonho individual e recoloca a moradia como direito coletivo.

📍Criminalizar a falta de moradia está alimentando a violência

🚨 Leis que punem pessoas em situação de rua estão associadas a mais violência, mais isolamento e nenhum efeito real na redução da falta de moradia. É o que revela post publicado no site Invisible People.

  • Por que isso importa: Essas políticas não apenas falham em resolver o problema, como aumentam riscos físicos e reforçam estigmas que legitimam abusos. Além disso, custam mais caro do que soluções baseadas em moradia.

🧠 O que está acontecendo: Após uma decisão da Suprema Corte dos EUA em 2024, centenas de cidades ampliaram leis que punem dormir ou viver em espaços públicos.

  • Mais de 300 cidades endureceram regras e penalidades.

  • Especialistas relatam aumento da violência e da repressão policial.

🔍 Nas entrelinhas: Essas leis empurram pessoas para áreas mais isoladas e reforçam a ideia de que elas merecem menos proteção.

  • A narrativa pública sobre a população em situação de rua se tornou mais hostil.

  • Ataques cresceram após o caso Grants Pass.

🏃 Resumindo: Tratar a falta de moradia como infração torna a vida nas ruas mais perigosa e mais longa.

  • A punição cria um ciclo que afasta ainda mais as pessoas de moradia e trabalho.

🖼️ O quadro geral: Criminalizar a sobrevivência em situação de rua viola direitos, desperdiça recursos e aprofunda o problema; a evidência mostra que Housing First (Moradia Primeiro) e serviços de apoio são mais baratos, mais eficazes e mais humanos.

💭 Nossa opinião: Transformar um problema social em caso de polícia é uma estratégia cara, ineficaz e estruturalmente violenta.

📍 Guerra contra os sem-teto: Trump pode aprofundar a maior crise habitacional dos EUA

🏚️📉 Os EUA já vivem a pior crise de pessoas em situação de rua desde a Grande Depressã (1929). As novas políticas de Trump tendem a transformar o problema social em caso de polícia, segundo artigo publicado recentemente na Big Issue.

  • Por que isso importa: As mudanças podem jogar milhões de pessoas na perda de moradia e desmontar políticas que funcionam. Isso consolida a criminalização da pobreza como política pública.

🧠 O que está acontecendo: O governo Trump ataca o modelo Moradia Primeiro (Housing First) e propõe grandes cortes nos programas de moradia.

  • Até 170 mil pessoas podem voltar às ruas.

  • Até 4 milhões podem perder ajuda habitacional.

🔍 Nas entrelinhas: O governo troca políticas baseadas em evidências por punição e confinamento. O modelo (“tratamento primeiro” (“treatment-first”) já se mostrou menos eficaz do que garantir moradia primeiro.

🏃 Resumindo: A crise tende a crescer rapidamente se essa agenda for implementada. O país já tem 770 mil pessoas sem moradia em uma noite qualquer.

🖼️ O quadro geral: Há resistência local, como em Nova York, mas a agenda federal aponta para mais repressão e menos solução estrutural.

💭 Nossa opinião: Criminalizar a pobreza é politicamente conveniente, mas socialmente destrutivo e ineficaz.

📍 Trabalhando e sem teto: a nova face invisível da crise habitacional nos EUA

🏚️💼 Nos EUA, há trabalhadores em tempo integral que não conseguem pagar aluguel e acabam em abrigos, carros ou hotéis baratos. O livro Não há lugar para nós: Trabalhadores e sem-Teto na América [There is no place for us: Working and homeless in America], de Brian Goldstone, expõe a “falta de moradia oculta” que fica fora do radar.

  • Por que isso importa: O problema não é “falha individual”, mas moradia cara, gentrificação e barreiras do mercado de aluguel. Isso derruba a ideia de que emprego, por si só, garante teto.

🧠 O que está acontecendo: Famílias com emprego fixo vivem em arranjos instáveis que muitas vezes não entram na contagem oficial.

  • A definição oficial privilegia “rua/abrigo” e apaga quem está provisoriamente alojado.

  • Quem tem histórico de crédito frágil é empurrado para opções mais caras e piores.

🔍 Nas Entrelinhas: A invisibilidade funciona como política: reduz o problema e facilita culpabilizar indivíduos.

  • Com o foco estreito, a crise parece “caso isolado” e não falha estrutural.

  • A instabilidade vira fonte de lucro para parte do setor imobiliário e hoteleiro.

🏃 Resumindo: As famílias não “caem” na falta de moradia — são empurradas por choques e regras do mercado.

  • Um incêndio, despejo ou dívida pode destruir o acesso a aluguel formal por anos.

  • Hotéis de estadia prolongada cobram mais que aluguel e prendem famílias no “hotel trap”.

🖼️ O quadro geral: Moradia virou uma disputa desigual em que muitos trabalham, mas poucos conseguem estabilidade. Sem prevenção de despejos e habitação realmente acessível, o emprego seguirá incapaz de proteger contra a falta de teto.

💭 Nossa opinião: Quando a moradia vira mercadoria extrema, o sistema passa a produzir trabalhadores sem casa como resultado previsível.

E mais:

📋 EXPEDIENTE:

Curadoria, Análise e Edição Final: Cláudio Cordovil Oliveira (Fiocruz)

Uso de IA: IA foi ferramenta empregada para otimização de síntese, e não como autora do conteúdo.

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